(POR DRIANE DE OLIVEIRA CRUZ )
O meu pai é um cara que foi iniciado no mundo da umbanda muito cedo – quando a gente fala de “umbanda” fica uma interrogação, então vou falar popularmente: “macumba”.
...Ele casou com minha mãe quando ela tinha 18 anos e ele 25 (07 anos de diferença – 07 é o número da perfeição de Deus), com ela esperando meu irmão mais velho, Deiglivan, na barriga. Meu pai trouxe a macumba pra dentro de casa, e minha mãe esteve nisso com ele. A nossa casa, logo que chegamos no Tancredo Neves, bairro onde moro em Manaus, não era muito grande, era de madeira (digo “era” porque agora não é mais; nossa casa agora é o castelo de Jesus.), de 03 cômodos, sendo que 02 cômodos eram usados para fazer as reuniões e consultas aos espíritos, e eu convivi com isso, assim como também meu irmão mais novo.
Minha mãe contava que os espíritos que apoderavam-se do corpo dela “cuidavam” de mim e do meu irmão mais novo, Diego, enquanto meus pais não estavam nesse mundo físico, e sim, no mundo da encantaria, ou pra onde o inimigo das nossas almas os mandavam, tanto que, no dia em que minha mãe sentiu as dores do parto ela tinha acabado de sair de uma dessas sessões.
Aos meus 05 anos, que é quando começo a me lembrar um pouco dos acontecimentos, eu já sabia o nome da maioria dos espíritos que “baixavam na cabeça” das pessoas que se diziam médiuns, e todos eles também me conheciam, eu freqüentava as sessões porque era minha casa e não tinha mesmo nada pra fazer, e eu achava divertido ver meu pai com uma voz diferente, com roupas de mulheres, ou vestido de índio, de penacho na cabeça, da voz que mudava sempre que uma entidade nova descia. Porque eu não entendia nada daquilo.
A minha vida era horrível. Terminavam as sessões os meus pais saíam pra beber nos bares com os amigos, ás vezes levavam eu e meu irmão, ás vezes não. Muitas vezes acordava no meio da noite e onde estavam eles? A minha sorte é que eu tinha uma ”fada madrinha”, Dona Maria, que foi uma segunda mãe pra mim, que me atendia sempre que eu aparecia gritando pela janela de casa: “Maria, vem me buscar Maria!” e ela sempre vinha.
Quando tinha festa eu estava lá, e comia todas aquelas comidas que são oferecidas aos demônios, porque quando acabavam as festas era pra dentro da minha casa que elas iam, e a opção era comer. Daí uma das amigas da minha mãe de bebedeira, chamada Marina, aceitou ao Senhor Jesus como Salvador e então, ela me convidou a ir pra igreja, pediu da minha mãe, e eu fui. Eu não me lembro bem do que aconteceu, nem como foi o culto, só lembro que tocou um hino que dizia: “ei, não fique assim, solidão não vai trazer a solução pro teu sofrer; não, não há razão, pra viver tão triste assim, existe alguém que sofreu em seu lugar, acredita, ele é a vida; não , não estou aqui pra fazer a sua cabeça, mas pra dizer que nem tudo se perdeu, acredita, existe um Deus. Ele vai te estender a mão, te abraçar e acalmar o seu coração. Ele vai te levantar do chão e estará sempre ao seu lado, acredita nesse amor maior, que sofreu até morrer pra lhe salvar”
Esse hino me impressionou tanto... falava de alguém q sofreu por mim, mas porquê? Quem era? E depois falava que ele ia me levantar, me abraçar, e sempre estaria comigo, que morreu por mim... pensei que se alguma pessoa morre por outra é porque amava demais este alguém e eu queria ser amada assim... eu aceitei a Jesus... sem nem saber o que isso significava, sozinha, sem ninguém da minha família. Daí, eu ia pra igreja sempre, levava o Dieguinho que tinha 03 anos, a igreja ficava, e fica, na rua da minha casa, minha mãe nunca me impediu, pelo contrário, ela achava bom, os demônios também achavam, porque não precisavam ficar cuidando de nós, porque o Diego não entendia; qualquer entidade q descesse sobre a mamãe, ele continuava chamando de mãe.
Eu ia pra igreja, e toda vez q ouvia o dirigente perguntar quem queria aceitar a Jesus, eu ia lá, todo domingo eu aceitava a Jesus, todo sábado, toda terça, toda quinta... Jesus era algo novo e eu não conhecia ele, eu queria saber o que ele ia fazer comigo. Lá tinha gente que cuidava de mim, inclusive a Maria, gente que gostava de mim, eu gostava de lá. Eu era a 1ª a chegar à reunião das crianças... a igreja era de madeira, pequenininha, tinha um buraco dos lados, eu era magrinha, sempre fui, conseguia passar por lá sem fazer esforço e ia varrer a igreja até todo mundo chegar. Numa dessas vezes, a irmâ Antônia, a líder do grupo de crianças, olhou pelo buraco que eu passava, me viu varrendo a igreja e cantando um corinho, ficou olhando um instante e depois me contou que enquanto eu varria a igreja e cantava tinha um anjo perto de mim, chamando o meu nome, e eu não conseguia ouvi-lo. Fiquei muito feliz, e a partir daquele momento, comecei a me sentir especial, afinal, os anjos não iriam chamar alguém a toa.
O meu pai é um cara que foi iniciado no mundo da umbanda muito cedo – quando a gente fala de “umbanda” fica uma interrogação, então vou falar popularmente: “macumba”.
...Ele casou com minha mãe quando ela tinha 18 anos e ele 25 (07 anos de diferença – 07 é o número da perfeição de Deus), com ela esperando meu irmão mais velho, Deiglivan, na barriga. Meu pai trouxe a macumba pra dentro de casa, e minha mãe esteve nisso com ele. A nossa casa, logo que chegamos no Tancredo Neves, bairro onde moro em Manaus, não era muito grande, era de madeira (digo “era” porque agora não é mais; nossa casa agora é o castelo de Jesus.), de 03 cômodos, sendo que 02 cômodos eram usados para fazer as reuniões e consultas aos espíritos, e eu convivi com isso, assim como também meu irmão mais novo.
Minha mãe contava que os espíritos que apoderavam-se do corpo dela “cuidavam” de mim e do meu irmão mais novo, Diego, enquanto meus pais não estavam nesse mundo físico, e sim, no mundo da encantaria, ou pra onde o inimigo das nossas almas os mandavam, tanto que, no dia em que minha mãe sentiu as dores do parto ela tinha acabado de sair de uma dessas sessões.
Aos meus 05 anos, que é quando começo a me lembrar um pouco dos acontecimentos, eu já sabia o nome da maioria dos espíritos que “baixavam na cabeça” das pessoas que se diziam médiuns, e todos eles também me conheciam, eu freqüentava as sessões porque era minha casa e não tinha mesmo nada pra fazer, e eu achava divertido ver meu pai com uma voz diferente, com roupas de mulheres, ou vestido de índio, de penacho na cabeça, da voz que mudava sempre que uma entidade nova descia. Porque eu não entendia nada daquilo.
A minha vida era horrível. Terminavam as sessões os meus pais saíam pra beber nos bares com os amigos, ás vezes levavam eu e meu irmão, ás vezes não. Muitas vezes acordava no meio da noite e onde estavam eles? A minha sorte é que eu tinha uma ”fada madrinha”, Dona Maria, que foi uma segunda mãe pra mim, que me atendia sempre que eu aparecia gritando pela janela de casa: “Maria, vem me buscar Maria!” e ela sempre vinha.
Quando tinha festa eu estava lá, e comia todas aquelas comidas que são oferecidas aos demônios, porque quando acabavam as festas era pra dentro da minha casa que elas iam, e a opção era comer. Daí uma das amigas da minha mãe de bebedeira, chamada Marina, aceitou ao Senhor Jesus como Salvador e então, ela me convidou a ir pra igreja, pediu da minha mãe, e eu fui. Eu não me lembro bem do que aconteceu, nem como foi o culto, só lembro que tocou um hino que dizia: “ei, não fique assim, solidão não vai trazer a solução pro teu sofrer; não, não há razão, pra viver tão triste assim, existe alguém que sofreu em seu lugar, acredita, ele é a vida; não , não estou aqui pra fazer a sua cabeça, mas pra dizer que nem tudo se perdeu, acredita, existe um Deus. Ele vai te estender a mão, te abraçar e acalmar o seu coração. Ele vai te levantar do chão e estará sempre ao seu lado, acredita nesse amor maior, que sofreu até morrer pra lhe salvar”
Esse hino me impressionou tanto... falava de alguém q sofreu por mim, mas porquê? Quem era? E depois falava que ele ia me levantar, me abraçar, e sempre estaria comigo, que morreu por mim... pensei que se alguma pessoa morre por outra é porque amava demais este alguém e eu queria ser amada assim... eu aceitei a Jesus... sem nem saber o que isso significava, sozinha, sem ninguém da minha família. Daí, eu ia pra igreja sempre, levava o Dieguinho que tinha 03 anos, a igreja ficava, e fica, na rua da minha casa, minha mãe nunca me impediu, pelo contrário, ela achava bom, os demônios também achavam, porque não precisavam ficar cuidando de nós, porque o Diego não entendia; qualquer entidade q descesse sobre a mamãe, ele continuava chamando de mãe.
Eu ia pra igreja, e toda vez q ouvia o dirigente perguntar quem queria aceitar a Jesus, eu ia lá, todo domingo eu aceitava a Jesus, todo sábado, toda terça, toda quinta... Jesus era algo novo e eu não conhecia ele, eu queria saber o que ele ia fazer comigo. Lá tinha gente que cuidava de mim, inclusive a Maria, gente que gostava de mim, eu gostava de lá. Eu era a 1ª a chegar à reunião das crianças... a igreja era de madeira, pequenininha, tinha um buraco dos lados, eu era magrinha, sempre fui, conseguia passar por lá sem fazer esforço e ia varrer a igreja até todo mundo chegar. Numa dessas vezes, a irmâ Antônia, a líder do grupo de crianças, olhou pelo buraco que eu passava, me viu varrendo a igreja e cantando um corinho, ficou olhando um instante e depois me contou que enquanto eu varria a igreja e cantava tinha um anjo perto de mim, chamando o meu nome, e eu não conseguia ouvi-lo. Fiquei muito feliz, e a partir daquele momento, comecei a me sentir especial, afinal, os anjos não iriam chamar alguém a toa.
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